20 Novembro 2009
INSTRUÇÕES PARA CORRUPTOS
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11/20/2009 09:06:00 PM
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03 Novembro 2009
"CASA PIA; APITO DOURADO; FREEPORT;FACE OCULTA"
«Casa Pia»; «Apito Dourado»; «Freeport»; «Face Oculta»; «Caso Madie». São mega processos judicias em “trânsito” na justiça portuguesa. Todos estes casos, têm posto em causa a eficiência e eficácia das autoridades judiciárias, órgãos de polícia criminal, autoridades de polícia criminal, etc. Entretanto, alterou-se o Código Penal e Código de Processo Penal, informatizou-se a “justiça” trocou-se o Ministro da Justiça, reestruturaram-se os serviços nos tribunais, desencadearam-se “eternas” discussões no que concerne ao estado da justiça em Portugal. Publicaram-se livros - «Justiça à Portuguesa», «Polícia à Portuguesa», «segredos e corrupção o negócio de armas em Portugal», « O inimigo sem rosto fraude e corrupção em Portugal», etc . Ainda assim, os silêncios enternecedores e as “perpétuas” dúvidas, não sumiram do espírito do comum dos cidadãos.O Procurador-geral da Republica, António Pinto Monteiro, vem dizer «E sei que há magistrados na maçonaria e que há magistrados na Opus Dei», o advogado Rogério Alves, ex-Bastonário da Ordem dos Advogados, vem dizer; «há um problema fundamental, que é uma descrença total na classe política, uma descrença total nas alternativas. A justiça insere-se nesta análise. Objectivamente, a justiça é cara, é ai que esta o erro.». Até um magistrado – José Sérgio Calheiros da Gama - vem a “terreiro” dizer que «um individuo que é pobre não tem tantas condições para que se lhe faça justiça. Não sei como é que um juiz pode julgar, digamos no seu tribunal, porventura um “Grau 33 da sua loja maçónica». O conhecido advogado, José Maria Martins “dispara”: «A maçonaria controla, quer o sistema político, que o sistema judicial em Portugal. Como cidadão pedia já, hoje, uma revolução em Portugal». Temos ainda o ex-inspector da Polícia Judiciaria, António Moita Flores, a “gritar”: «juro que não percebo como é que o Banco de Portugal não é investigado!».
Se olharmos para as prisões portuguesas, 99% dos presos que lá estão são pobres. Este dado assusta qualquer “homem médio” e faz presumir que os ricos são “santinhos” se considerarmos o que nos diz a Constituição da Republica Portuguesa, a Lei fundamental: «todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social, ou orientação sexual». E se alguma fé ainda existisse no que concerne a um “milagre” para a justiça, os devotos das “coisas do Céu” começam, também eles, a não estarem seguros na sua fé quando o prémio Nobel da literatura, José Saramago, lhes vem dizer que a Bíblia é «um manual de maus costumes».
Na minha humilde opinião, a justiça em Portugal têm todos os requisitos para funcionar em pleno. O problema da justiça reside apenas no seguinte: Tem medo de suspeitos/arguidos vindos de estratos sociais elevados e/ou de cores políticas com “expressão” no poder. Um medo que, bem pensado, tem a sua justificação plausível: Não é fácil a um magistrado ou a um polícia ver a sua carreira, ou vida privada, esquartejada por um “polvo cruel”que espreita a cada quarteirão.
Se alguma dúvida ainda existir, quanto à existência do real medo, vamos ter a oportunidade – se ainda formos vivos - de a dissipar. Basta, para tanto, verificar o estatuto social e/ou peso politico dos condenados, com pena de prisão efectiva, que possam resultar dos mega processos acima identificados.
Paulo
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11/03/2009 12:19:00 AM
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06 Outubro 2009
AMÁLIA RODRIGUES (1920-1999)
Faz hoje dez (10) anos – 06/10/2009 – que partiste.
Recordo-me – como se fosse hoje – aquele dia em que nos conhecemos. Apanhavas flores em Monsanto-Lisboa.
O que falamos, só nós dois é que sabemos…
Naquele dia, eu “ensaiava “ a saída da adolescência com tudo o que isso tem de titubeante. Um dia que jamais posso esquecer.
Hoje, todos os meios de comunicação falaram de ti. Uma “multidão” de admiradores e pseudo- admiradores, recordaram e, tornaram publico, o que tu significas para eles.
Porém, eu não estive presente em qualquer dos eventos que fizeram em teu nome.
Ainda assim, senti que lá do Céu observaste, atentamente, o que eles estavam a fazer por ti.
Sabes que eu estou sempre sozinho e, mais uma vez, vieste ao nosso encontro a dois.
Tu sabes que eu não teria imaginado as coisas novas que me ensinaste se a nossa amizade não fosse tão especial.
Um verdadeiro amigo não é o que se põe em “bicos-de-pés” para usar o nosso nome. É alguém que, no seu silêncio recolhido, pensa em ti quando não estas aqui.
Eterna saudade
Paulo
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10/06/2009 11:34:00 PM
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22 Setembro 2009
LEGISLATIVAS - 2009 - a indignação
Muitos dos protagonistas do referido espectáculo, exaltam as virtudes da democracia mas, conhecendo-lhe o passado no que concerne à “governabilidade” do País, logo recordamos inúmeras situações ilícitas onde os seus nomes fizeram “eco” na opinião pública.
Ainda assim, a retórica de tais protagonistas – quando se dirigem ao soberano povo - em momentos que antecedem às eleições, segue uma lógica de sedução que funciona como uma sofisticada “armadilha” para “caçar” parte do eleitorado e “branquear” o passado dos seus actos.
Tudo isto é motivo, mais do que suficiente para indignar os eleitores.
Mas porque motivo não se indignam, energicamente, os eleitores?
A verdade é que o soberano povo português esta acostumado a pensar na indignação como sendo um sentimento condenável: ódio, desejar o mal para outrem, ira, etc.
Talvez tal sentimento tenha alguma conotação com a interpretação que o povo português - maioritariamente católico – faz das escrituras sagradas catapultando-o, por isso, para enternecedores silêncios, resignação e medo .
A ser verdade, trata-se de um grave erro!
No meu entender a indignação pode ser uma atitude não apenas aceitável, mas absolutamente necessária para que certas situações sejam transformadas. Sentir indignação significa reagir diante do mal, não ficar passivo e indiferente, protestar activamente contra aquilo que atenta contra a verdade, contra a justiça, contra a dignidade humana.
Vivemos num país marcado por escândalos, clamorosas distorções, deturpação de expectativas, perda de direitos adquiridos … e ficamos calados.
É preciso que se saiba que com o nosso silêncio estamos a contribuir para que um certo estado de coisas (desemprego, criminalidade, violência, desigualdades sociais, descriminação, etc…), altamente nefastas, se perpetue, aumente e pareça normal.
Nas próximas eleições legislativas o povo vai votar. Este é um dos momentos mais propícios para manifestar a indignação. Espero que no momento do preenchimentos do boletim de voto, os eleitores não o façam em função do espectáculo da campanha eleitoral e das “estudadas” manobras de sedução dai resultantes, mas sim em função do perfil do candidato – se existir - que, em consciência, lhes ofereça maior confiança.
A abstenção é uma forma de silêncio, resignação, indicador de ausência de contributo cívico, pelo que todos devem votar, ainda que em branco.
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9/22/2009 11:56:00 PM
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22 Agosto 2009
" FÉRIAS/2009 - O SUPLÍCIO DAS ROSAS "

Chegaram ao fim as minhas férias/2009.
Algures nas areias das praias do Algarve-Portugal, chamei em meu auxilio alguns prazeres “apetecíveis” e com os quais, paradoxalmente, experimentei um tédio tal que me senti “morrer”.
Aprendi que, afinal a tristeza existe no fundo dos prazeres, tal como, na areia de todas as praias, existe água salgada.
Logo no segundo dia de férias a minha alma, já exaltada e frenética, experimentava um misto de secura absoluta nos seus afectos e a vontade de me catapultar para os “braços” dos fúteis “amores de Verão”.
Confesso que nos dias subsequentes, movido pela “centelha” impetuosa da aventura, “bebi” um pouco de todos os prazeres mas, ainda assim, senti-me velhíssimo, apesar da minha extrema juventude física, trabalhada na solidão dos ginásios e nas correrias desenfreadas para apanhar o autocarro.
Certa noite, não resisti aos apelos de um convite e, por isso, estive numa festa privada que visava recriar quotidianos históricos sob o tema “suplicio das rosas”.
Já na festa, surge, subitamente, a grande panóplia de púrpura que se abria e deixava cair do tecto uma chuva, uma chuva fina, perfumada e poética, de rosas e de verbenas. A principio os convivas, e eu, ficamos “transfigurados” de admiração e exaltava-mos a sumptuosidade da festa.
Porém, à medida que a chuva ia caindo, caindo sempre, implacavelmente, uma sombra de inquietação começava a desenhar-se no meu “espírito”. Decididamente eram flores e perfumes demais. Nesta confusão, Lembrei-me da Mariana, uma miúda da adolescência que, longe de festas e na aridez escaldante dos montados do Sul… me permitiu o primeiro beijo.
Finalmente, embriagado por tantos perfumes, tendo como “mortalha” o lençol de verbenas, a avalanche das rosas, aparentemente suaves, não eram mais do que rosas “envenenadas”.
Depois a festa acabou. De regresso ao acampamento, voltei a recordar-me da Mariana e, murmurando para os meus “botões”, pensei: afinal…, amar um amor em que os sentidos imperam é sempre, sempre, sempre, sofrer de insatisfação.
Na verdade este “suplício das rosas” renova-se todos os dias, tantas vezes quantas cedemos à inexperiência na errada convicção que podemos dominar o Mundo.
Mas, bem pensado, se me tenho entregue, sem reservas, aos ditames dos impulsos desprovidos de razão, melhor festa não teria.
Agora que as férias acabaram e voltei às planícies ora douradas do Sul, uma certeza ficou: nunca perder a noção da proporcionalidade.
Paulo
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8/22/2009 04:57:00 PM
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25 Julho 2009
"ORTOFRENIA"

"Aclamações"
«dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas
de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
aclamações
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém .»
(Mário Cesariny, in "Planisfério" )
NOTA: Agora vou de férias.
A todos os que, entretanto, por aqui passarem, o meu muito obrigado.
Paulo
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7/25/2009 07:40:00 PM
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14 Junho 2009
" O "ROCHEDO" ... "
Entristece-me o facto de tudo se modificar à nossa volta e ainda existirem “vendedores de sonhos” a ocuparem lugares “chave” onde se decide o destino de um Povo.
Hoje não se sabe onde começam e onde acabam as liberdades dos outros, susceptíveis de limitarem a liberdade de cada um.
Em certos círculos, parece ter sido imposto um certo “regime” com o propósito de ocultar e/ou confundir as ideias. Os menos atentos são “varridos” pelo agitar de promessas, números – e contraditórios – que roçam o insulto, quando não se cai nele rotundamente.
Perante este cenário, o normal funcionamento das instituições tornou-se insustentável. Hoje tudo se acha sujeito a discussão e a revisões.
Considerando que a liberdade dos outros abrange – entre outros aspectos – o respeito pela vida, integridade física, bom-nome e pela propriedade, importa, então, saber:
Até que limite a liberdade de cada um, ao emitir livremente as suas opiniões, não poderá ofender gravemente a liberdade dos outros quanto ao respeito de credos religiosos, de costumes, conduta moral, etc…
O Estado, em nome do interesse público, tem julgado importante impor a restrição a uma panóplia de direitos adquiridos e cerceamento das liberdades, com interferências perturbadoras nas convicções dos cidadãos no que concerne à confiança destes nos órgãos de soberania.
Enquanto as instituições não assentarem num determinado número de regras indiscutíveis e inatingíveis, só se pode estar perante uma anarquia, com todas as consequências dai resultantes.
É inadmissível – quando a lei é igual para todos – que a pequena criminalidade -pequenos furtos/roubos – tenha um tratamento célere por parte dos tribunais e que a grande e hedionda criminalidade consiga “travar”, de forma escandalosa, a acção da justiça quando estão em causa a função, estatuto, de certos suspeitos e/ou arguidos que amordaçam impunemente os pressupostos de um Estado de Direito Democrático e os princípios mais elementares da ética, justiça, equidade.
Agora sabemos que não é difícil o progresso… pelo contrário, o que é difícil é destruir o “rochedo” batido por toda a opinião publica, por todos os que lutaram pela igualdade perante a lei, mas que, teimosamente, se mantém de pé e que – para espanto de todos – nenhum “furação político”, ou revolução popular, conseguiram vencer.
“Rochedo” que, penso, se prepara – limpando e arejando as suas engrenagens e roldanas – para influenciar os destinos de um Povo, antes, e após, as eleições legislativas e autárquicas.
Nas últimas eleições ficou provado que os que levam a vida a narcizar-se, a organizar manifestações, desfiles, cerimónias de apoteose, já não conseguem hipnotizar os que despejam nas urnas – de forma secreta, não vá o diabo tece-las – a sua própria vontade e liberdade interior.
PAULO
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6/14/2009 04:22:00 PM
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16 Maio 2009
"FRAGILIZADOS VALORES DA ÉTICA E DA MORAL..."
Os preceitos religiosos e as normas éticas, deixaram de ter um significado pleno e inequívoco o que causou um enfraquecimento na sua subordinação valorativa. Assim os comandos religiosos - que fundamentavam as regras morais que estavam enraizadas nas mais diversas sociedades - deixaram, na pratica, de derivar de um bem tido por absoluto caindo nas “garras” de uma visão economicista da fé .
Em face do exposto, os valores da ética e da moral encontram-se fragilizadas na sua “razão de ser”. Passaram a ser meramente utilitaristas quando não se mostram muito flutuantes e/ou incapazes de coincidir com o «mínimo ético», absorvido pelo direito.
Agora é preciso perceber o novo paradigma civilizacional: desprovido de um sistema de valores, religioso e ético, consistente.
Hoje já não há certezas de verdades absolutas nem tão pouco de certezas quanto ao futuro, à instituição família, à orientação sexual, aos afectos, ao bom nome, à honra, à dignidade da pessoa humana e, sobretudo, ao preço a pagar pela liberdade de expressão.
Apesar do esforço cultural dos povos, das “auto-estradas” de comunicação, das promessas de certos quadrantes políticos, a verdade é que ao actual quadro de valores existente já não presidem os tais “luzeiros” - ético e religioso – alegadamente intemporais e imutáveis. A integralidade da subordinação valorativa nos planos religioso ético e moral, esta cada vez mais inacessível ao homem degradando, assim, a beleza eterna a que aquele tanto aspirava.
Nestes últimos tempos é notória uma espécie de “corrida” do homem que, persistentemente, deambula por quotidianos pejados de “armadilhas”, numa derradeira tentativa de recuperar os valores que, por sua por negligência ou traição de outrem, perdera.
Entretanto muitos “vendedores de ilusões”, hão-de aproveitar-se, para benefício próprio, da actual fragilidade daqueles que sempre foram vitimas dos usurpadores da vontade.
“Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!”
(Mário Quintana)
Paulo
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5/16/2009 07:17:00 PM
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07 Maio 2009
" A PALAVRA DOS POLÍTICOS"
No "orvalho" das palavras dos políticos – em discursos de ocasião de vésperas de eleições - há «arco-íris» travestidos. Por vezes sinto-os como "uivos" de lobos a tocar presságios antigos, outras vezes como enternecedores apelos, chamamentos, sinais...como se eu ainda tivesse todas as fragilidades da incerteza e/ou o deslumbramento da novidade....
O "eco" dos "gritos" da liberdade ancorados no meu peito, continuam a traduzir todo o caos de um passado pejado de ausências, expectativas, promessas e silêncios redondos, que, paulatinamente, desmoronaram os valores mais sofridos da minha Pátria amada mais que quantas.
Cresci a crédito, algures em terras Lusas e embarquei em frases do tipo daquelas que os meus pais embarcaram: «sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em pouco tempo (Oliveira Salazar)”.
Entre sonhos e realidades - que entretanto me forjaram o carácter e me algemaram em "abrigos" de "betão armado" - . “Dei” aos políticos todo o tempo do mundo mas, infelizmente, nunca tive a certeza do "azimute" das suas verdadeiras intenções.
Quando tentei entender os discursos de ocasião – vindos de púlpitos ornamentados com símbolos da Pátria - Confundi-me vezes sem conta com a linguagem politicamente correcta(?) que ecoavam no meu espírito humilde e devoto.
Andei, mas em vão, "perdido" e sem "norte" numa desalmada procura de respostas daqueles que anunciavam o " bem-estar" mas acabei por me perder entre labirintos cruéis e quotidianos sedentos de sonhos e devaneios.
Ainda assim, salvaram-se a firmeza das minhas próprias ideias e um “olhar” desinteressado para a “obra” dos políticos. Tal “salvamento” catapultou-me para fora do pântano do «simplex» das ilusões.
Mas… um certo meu "medo" ainda paira no horizonte; pois não expurguei todos os "fantasmas" dos bairros pobres onde, cabisbaixo, calcorreei ao encontro do "arco-íris".
Afinal…, quando esperava encontrar analogias de mim e “gaivotas em festa”, encontrei gente depravada, sociedades secretas, tráfico de influências e, sobretudo, muita desumanidade.
Não é difícil inventar o progresso... fundado em verdades de "plástico" pelo contrário, o que é difícil é as pessoas conservarem-se dignas de confiança e estima por força da sua autenticidade, serem o rochedo batido por todas as tempestades, mas que, ainda assim, ficam de pé e que nenhum furacão pode abalar.
Hoje, mesmo sabendo que o egoísmo tudo submergiu, ainda espero encontrar um político isento de subterfúgios ou palavreados desembrenhados de dogmas - como fonte épica de poesia - para merecer, de facto, a minha confiança e estima.
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5/07/2009 02:56:00 AM
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03 Maio 2009
"3 DE MAIO - DIA DA MÃE"
Parabéns mãe! Hoje é o teu dia. Ainda assim eu tenho que te dizer algumas coisas: tenho verificado que as crianças mais neuróticas são as que têm tido uma rígida educação religiosa. Facto incompreensível na medida em que as crianças já não são, como outrora. Não são fruto do acaso. Elas – devido aos métodos contraceptivos – deixaram de ser um subproduto da actividade sexual dos seus pais e tornaram-se um puro produto, pensado pelos pais, nesta sociedade de consumo. Um produto sem defeitos, eficiente e fonte inesgotável de satisfação. Hoje tenho amigos que continuam superprotegidos pelas mães que construíram à volta deles uma espécie de um útero virtual extensível até ao infinito e, com ele, satisfazem-lhes todos os seus caprichos. E é justamente isso que não se deve fazer!Mãe, neste teu dia recordo-te aqui o diálogo que tive com o meu professor de religião e morar – que anunciava a doutrina do cristianismo na escola – quando eu tinha nove anos:
Professor: Quem é Deus?
Eu: Não sei, mas a minha disse-me que se eu for bom vou para o céu e se for mau vou para o inferno.
Professor: E que espécie de lugar é o inferno?
Eu: Todo escuro. O inferno é ruim.
Professor: Estou vendo. E que espécie de gente vai para o inferno?
Eu: Gente ruim: os assaltantes e os homens que matam pessoas.
Porém, quando o professor me pediu para que lhe descrevesse Deus para ele eu não o consegui fazer: disse que não tinha ideia da aparência de Deus, mas que gostava muito dele, amava-o.
Mais tarde compreendi que, afinal, eu gostava de um Deus que não podia descrever e que jamais tinha visto, estava usando, por isso, uma expressão destituída de significado, convencional. A genuína verdade é que temia Deus apesar de nem o saber descrever.
A instrução religiosa e outros obstáculos, condicionantes da liberdade das crianças, causam danos psicológicos irreversíveis que acabam por condicionar o crescimento emocional e a condição de adulto em quotidianos adversos.
Sabes mãe, eu não tenho culpa do pecado original e de que, por causa dele, tenhas dores de parto.
Podes-me dar o teu amor, mas não os teus pensamentos. Afinal eu já sou grande – sábias? - e tenho os meus próprios pensamentos.
Apesar de tudo, hoje é o teu dia, mãe. Por isso não deixei de trazer as flores do costume como forma de agradecer a saudade do teu colo e a felicidade que sentia quando me afagavas o rosto lá na planície árida do Sul de Portugal, entre a sinfonia do canto das cigarras e a extinção dos meus primeiros “dentes de leite”.
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5/03/2009 11:13:00 PM
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24 Abril 2009
"25 DE ABRIL DE 1974.....35 ANOS"
«Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de estado militar que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das forças armadas - o regime político que vigorava em Portugal desde 1926. O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar , na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução)»
"A verdadeira liberdade é um acto puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão." (Massimo Bontempelli)
Paulo
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4/24/2009 05:14:00 PM
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18 Abril 2009
CORRUPÇÃO EM PORTUGAL
É preciso uma firmeza inquebrantável daqueles que, desinteressadamente ainda investigam em Portugal, para atingir resultados mínimos no combate à grande corrupção. Para alcançar alguns resultados é necessário que o investigador catapulte para segundo plano a família, os amigos, a integridade física, e a carreira profissional.
Penetrar no mundo da grande corrupção com o intuito de combatê-la é, quase sempre, uma "batalha" perdida.
Enquanto o cidadão comum e humilde se preocupa com a ética, deontologia, disciplina, valores, princípios, visando o normal funcionamento das instituições, há outros cidadãos que, pelo lugar que ocupam ou pelo seu carácter doentio, se preocupam a decorar a seguinte "lição":
«Nunca te esquecerás de que a ética Kantiana é uma teoria impraticável e que são o poder e a ambição que ditam todas as acções dos homens.
II. Terás sempre em atenção que deves usar o teu poder para servir os que ainda estão acima de ti e para seres indispensável aos que estão abaixo de ti.
III. Jamais terás dúvidas de que o dinheiro que geras para ti e para os teus é o melhor atalho para consolidar e aumentar o teu poder.
IV. Realizarás todos os teus actos na sombra, em silêncio, sem testemunhas. Longe de documentos e especialmente ao largo de telemóveis.
V. Procurarás nunca desapontar os teus amos e nunca renegar os teus cúmplices, especialmente se estes forem família, ou tiverem tido acesso à tua intimidade.
VI. Estarás sempre vigilante em relação aos que te invejam e aos que, por formalismos legais ou por suspeita, querem fiscalizar as tuas acções. Encontrarás meios para os desacreditar ou, em último caso, os eliminar.
VII. Construirás diariamente uma teia, com fios feitos por líderes que graças a ti treparão mais alto, por funcionários que de ti tirarão benefícios, por empresas que através de ti chegarão ao lucro, e por novas entidades que deixarás os teus lidarem.
VIII. Deverás estar atento a todas as oportunidades de mercado, sabendo que elas são infinitas, e estudarás especialmente as novas formas de negócios, ou seja, o modo de as usares a teu favor.
IX. Serás cirúrgico e asséptico no modo de contornares as leis, os regulamentos e os códigos, e atrairás a ti os melhores especialistas para te ajudarem a camuflar e a fazerem desaparecer todos os traços das tuas actividades.
X. No caso extremamente improvável de seres apanhado, gritarás inocência até ao fim, marcarás conferências de imprensa para proclamares teu horror e quando te confrontares com a tua consciência, dirás a ti próprio que fizeste tudo para bem do povo e dos seus representantes.»
Os desvios e as ambiguidades criadas à justiça, tornaram o quatidiano um autentico "barril de pólvora". A degradação do sistema político e das instituições públicas hão-de levar o Povo à revolta mas, entretanto, como sempre, os culpados fogem quase sempre a tempo...
Paulo
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4/18/2009 11:08:00 PM
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04 Abril 2009
" CARÊNCIA DE JULGAMENTOS IDÓNEOS"
A missão de julgar, para não ser transformada em mero automatismo, não reclama apenas sabedoria, quanto às leis e quanto à natureza humana. Implica, também, virtudes pessoais, resoluções, serenidade, fortaleza de ânimo, amor de verdade, desinteresse, magnanimidade, que não intimidem os julgadores face a pressões dos poderosos. A independência, a liberdade, dos julgamentos na doutrina tradicional portuguesa, pressupunha o temor a Deus, porque esta constituía o melhor meio de não temer os homens.A verdade é que hoje os julgadores (juízes) - salvo algumas excepções - já não são livres na sua missão de julgar. Agora o temor a Deus faz parte do passado e as pressões dos poderosos teimam em ser insuportáveis. Os actuais ordenamentos jurídicos restringem os poderes dos julgadores, não lhes permitindo alargar a sua apreciação para factos, ou pretensões, que não constem dos libelos, das petições, das contestações, nem formular a premissa maior do silogismo judiciário senão em conformidade com o direito positivo. Só os julgadores livres - sem medo e sem estarem sujeitos a pressões - é que estão em condições de excluir as puras arbitrariedades que se têm verificado nestes últimos anos.
A forma tímida como a justiça tem actuado contra os arguidos e/ou suspeitos de poder economico e/ou estatuto social elevados - arrastando os processos «sine dia »quando estes não prescrevem ou são arquivados e raramente encontrando culpados dos dramas sociais - tem desacreditado a administração da justiça, facto que o Povo só por períodos mais ou menos curtos pode tolerar.
Até se pode entender que a justiça se venha a degradar por força de carência de condições de trabalho ou escassez de funcionários na administração da justiça. O que não é tolerável é o facto da justiça se degradar por carência de julgamentos idóneos quando por imposição constitucional todos são iguais perante a lei.
Paulo
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4/04/2009 10:47:00 PM
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28 Março 2009
HINO DE PORTUGAL
Genuína Pátria amada...mais que quantas...
Símbolos da Pátrias, Política e Fado sempre formaram um estranho paradoxo.
Pela sua autenticidade, pelo que representa como legado da memória colectiva de um Povo, que teima em acreditar numa "estrela" e a segui-la com um olhar ceguinho de choro, o Fado ainda não "morreu". O fado é Portugal.
Portugal que, como qualquer Pais, tem um Povo. Mas, actualmente, o Povo português esta triste pois constata, todos os dias. que...afinal... os seus "heróis" têm "telhados de vidro" e "pés de barro". Assim, pela sua verdade, autenticidade e , também, pela sua identificação com a natureza do Povo português, resta o Fado. O Fado... esse vendaval de lamentações, essa "chama" ardente... que, paulatinamente, vai "aquecendo" a memória colectiva de um Povo... malfadado...e que procura a serenidade roubada pela "alta política" e pelos charlatães que em seu nome lhes venderam a "alma".
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3/28/2009 12:07:00 PM
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14 Março 2009
"CONSCIÊNCIA SEGMENTADA"
O mundo actual caracteriza-se por mudanças rápidas e de tal modo bruscas que a "velocidade" da mutação da sociedade - que dai resulta - catapulta-nos para novos desafios. Se é certo que o incremento dos meios de comunicação tem aproximado os homens uns dos outros não é menos certo o facto de, paradoxalmente, o mundo, ainda assim, continuar dividido no âmbito ideológico-político-militar.Esta ausência de uma consciência clara da realidade perturba, na minha opinião, os ideais de fraternidade e de igualadade entre os homens.
Neste mundo, onde o homem deixou de ter tempo para reflectir, contentando-se apenas com ideias feitas quando não com «slogans», há sempre os políticos inventores a fazer vitímas enganadas pelo fascinação aparente da democracia, que, na sua ingenuidade, confundem com o espírito de liberdade e de igualdade.
Não tardará o momento em que as vitimas, que não tiveram tempo de reflectir sobre o que efectivamente pretendem, manifestem a sua revolta na rua tentando, assim, impor a sua vulgaridade, a sua mediocricidade.
Fica, porém, a expectativa de que, na senda da mutação social, nada é já irreversível.
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3/14/2009 10:49:00 PM
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